O Grêmio venceu o São Paulo por 2 a 1 em partida decidida por mais um gol de falta de Miguel Ángel Pavón, que, num roteiro improvável, voltou a ser o herói da noite e garantiu a segunda vitória do clube em uma semana. O resultado trouxe alívio imediato para a comissão técnica e para os torcedores, após uma sequência negativa que deixou o time sob forte pressão.

O placar, porém, foi superior ao futebol apresentado. O time teve oportunidades desperdiçadas — destaque para o gol perdido por Carlos Vinícius no primeiro tempo — e cometeu erros individuais que custaram caro, como o lance em que Nardoni foi desarmado e permitiu o gol são-paulino. As cinco substituições de Luís Castro no segundo tempo deram novo fôlego, mas tiveram efeito prático limitado: três trocas foram por jogadores da mesma posição (Jovane Cabral por Amuzu, Carlos Vinícius por Braithwaite e Nardoni por Dodi) e não mudaram substancialmente o panorama técnico.

Na defesa, porém, houve respostas consistentes. Wallace repetiu atuação segura e, além de cobertura, foi protagonista ao marcar de cabeça no empate, justificando a improvisação do técnico ao mantê‑lo pelo lado esquerdo da zaga em detrimento de nomes mais experientes. A dupla de vitórias recentes — inclusive o 1 a 0 sobre o Mirassol — teve protagonistas semelhantes e mostrou que Pavón, antes alvo de vaias, ganhou a confiança da torcida ao traduzir cobrança em entrega em campo.

O alívio é real, mas temporário. O Z-4 ainda ronda o Grêmio e a equipe não conseguiu, nesta temporada, alcançar três vitórias seguidas — meta que aparece como termômetro para uma recuperação de fato. O duelo fora de casa contra o Atlético-MG, no próximo domingo, será um teste mais claro: o clube precisa provar que pode depender de articulação coletiva, não apenas de lampejos individuais, para iniciar uma curva de ascensão sustentável.