A vitória por 3 a 0 do México sobre a República Tcheca, pela terceira rodada do Grupo A da Copa do Mundo, ficou marcada também pelos gritos homofóbicos entoados por parte da torcida no Estádio Azteca. Em várias cobranças de meta, torcedores repetiram o cântico dirigido ao goleiro tcheco Matej Kovar, segundo relatos da imprensa internacional.

O episódio acontece apesar da campanha lançada pela Federação Mexicana em maio — 'A ola, sim, o grito, não' — que contou com nomes do futebol local na tentativa de inibir ofensas. A repetição do cântico lembra casos anteriores: em 2018 o México foi multado em 10 mil francos suíços e, na Copa do Catar, a seleção recebeu nova punição de 100 mil francos suíços. Em 2024, em amistoso contra o Brasil, o jogo chegou a ser paralisado e o telão pediu o fim dos gritos.

A Fifa ainda não se pronunciou sobre os episódios no Azteca, mas o histórico de punições torna plausível a aplicação de nova multa. Para além do impacto financeiro, a recorrência das ofensas põe em xeque a eficácia das campanhas internas e amplia o custo reputacional da seleção e da federação perante a organização do torneio e o público internacional.

Do ponto de vista institucional, o caso expõe uma contradição: ações públicas de combate ao cântico coexistem com a incapacidade de conter um comportamento enraizado em torcidas. Sem medidas mais incisivas de prevenção e fiscalização — dentro e fora dos estádios — a federação corre o risco de enfrentar novas sanções e acusações de insuficiência na proteção contra a discriminação, ao mesmo tempo em que a República Tcheca encerra sua participação no Mundial.