A um mês da abertura da Copa do Mundo de 2026, com o torneio ampliado para 48 seleções, o Grupo de Estudos Técnicos (TSG) da Fifa relativizou a ideia de que a bola parada vá dominar o campeonato. Embora clubes como o Arsenal tenham elevado a especialização — com aproveitamento recorde em gols de escanteio na Premier League —, os integrantes do grupo dizem que o cenário das seleções é distinto e menos favorável a uma mudança tática tão radical.
Para ex-jogadores e analistas do TSG, entre eles Gilberto Silva, a adoção intensa de cobranças e jogadas ensaiadas foi visível em clubes, mas replicá‑la nacionalmente esbarra no curto período de treinamento antes do torneio. Gilberto, que acompanhou a evolução das equipes na Inglaterra, ressaltou que a bola parada pode ser uma arma útil, mas dificilmente será o pilar central das equipes em um Mundial, onde o preparo e a organização coletiva têm limites temporais.
Os especialistas esperam partidas mais ajustadas, com ênfase em transições para furar defesas bem postadas, e alertam para fatores extrafutebolísticos. A edição de Club World Cup nos EUA, vista como ensaio, mostrou intensidade parecida com a de 2022 em vários duelos, mas também sugeriu que o calor pode obrigar treinadores a administrar esforços e escolhas táticas ao longo do torneio.
Orientado por Arsène Wenger, o TSG reúne nomes como Gilberto Silva, Jürgen Klinsmann e Pablo Zabaleta e será responsável por análises de todas as partidas, apoiado por equipe de dados e performance. A leitura do grupo é que a bola parada terá papel relevante em jogadas decisivas, mas não deve redesenhar por completo a dinâmica do Mundial — algo que continuará a depender da preparação, da profundidade dos elencos e das condições de cada sede.