Aos 7 minutos do segundo tempo, Guéla Doué empatou o amistoso entre França e Costa do Marfim, em Nantes. O defensor do Strasbourg aproveitou falha de Ibrahima Konaté e tocou por cima do goleiro Mike Maignan para balançar as redes. O gol abriu um capítulo inusitado em um confronto marcado por escolhas nacionais dentro de uma mesma família.
Na comemoração, Guéla seguiu até a linha de fundo e chutou a bandeirinha de escanteio, que trazia o emblema da Federação Francesa de Futebol. No segundo gol marfinense, marcado por Diallo, o gesto se repetiu: Doué novamente acertou a bandeira. As imagens, registradas pela imprensa no estádio, rapidamente deram tom ao episódio no pós-jogo.
Aos 23 anos, Guéla Doué nasceu na França, tem dupla nacionalidade e decidiu defender a seleção da Costa do Marfim. Seu irmão mais novo, Désiré Doué, de 21 anos e destaque do Paris Saint-Germain, estava no banco de reservas da França. O contraste entre as trajetórias — um escolhendo a seleção francesa, outro a marfinense — acrescenta uma camada simbólica ao ato.
O gesto de chutar a bandeirinha com o símbolo da federação não tem, por si, efeito disciplinar automático, mas tem força simbólica e tende a alimentar debates sobre identidade e provocação em partidas internacionais. No plano esportivo, a ação também reforça a narrativa de que amistosos podem expor tensões pessoais e escolhas de carreira que vão além do campo.