A manhã de provas na Esplanada dos Ministérios promete ser dupla: além da disputa pelo pódio, haverá uma corrida paralela entre fabricantes de material esportivo. Na marcha atlética, onde o uniforme é regulado pelas federações, os calçados permanecem escolha pessoal — e é aí que a visibilidade das marcas se intensifica, com modelos que incorporam placa de carbono e espumas de alta responsividade.
O marchador brasileiro Caio Bonfim, prata em Paris-2024, é caso emblemático: agora em parceria com a Puma, tornou-se referência da marca e usa a linha Deviate Nitro Elite, que traz placa de carbono e espuma reativa — modelo precificado na casa dos R$ 1.200 segundo o mercado. Bonfim ressalta o peso do equipamento na rotina de alto rendimento: treina cerca de 25 km por dia e chega a gastar dois pares por mês, o que traduz uma demanda intensa por tecnologia e reposição.
Entre os favoritos, a tendência é clara: New Balance (FuelCell SuperComp Elite), Asics (linha Metaspeed) e Adidas (Adizero Adios Pro) aparecem nos pés da elite, com preços que frequentemente passam dos R$ 2 mil. Há, contudo, escolhas fora do padrão: o italiano Massimo Stano corre com a Diadora Equipe Atomo, que prioriza leveza em vez da ênfase em placas de carbono. Também se repete a lógica de mercado em que a fornecedora oficial de uma seleção não determina todas as escolhas individuais — a federação japonesa, por exemplo, tem a Asics como parceira, mas atletas usam Mizuno ou New Balance.
O quadro expõe dois efeitos simultâneos: a tecnologia virou diferencial técnico e moeda de marketing; e a profissionalização da marcha amplia custos e dependência de patrocínios. Para atletas e marcas, o Mundial em Brasília é vitrine de desempenho e visibilidade — e para o público, um lembrete de que, hoje, vencer também passa pelo que se calça.