Guto Miguel, 17 anos e principal cabeça de chave do torneio, garantiu vaga na final da chave de simples juvenil de Roland Garros ao derrotar o compatriota Leonardo Storck por 2 sets a 1 (6/1, 3/6 e 6/2). O goiano volta à quadra no sábado para enfrentar o norte-americano Michael Antonius e tem diante de si a oportunidade de conquistar o primeiro título brasileiro de simples juvenil no saibro parisiense.

A presença de Guto na decisão mantém o Brasil entre os protagonistas históricos da competição, mas também expõe um jejum: nas quatro décadas de participações houve três vice-campeões masculinos — Edison Mandarino (1959), Thomaz Koch (1962 e 1963) e Luís Felipe Tavares (1967) — e nenhum campeão de simples em Roland Garros. O país já teve conquistas juvenis em Grand Slam nas simples (Tiago Fernandes, Thiago Seyboth Wild e João Fonseca em outros Slam) e soma troféus em duplas, mas falta a taça de simples júnior no saibro de Paris.

A campanha de Storck também merece registro: com a semifinal, o cuiabano somou 410 pontos e deve ganhar posições no ranking mundial juvenil, após vencer cabeças de chave ao longo do evento. No feminino, Victória Barros, 16, igualou um feito histórico ao chegar às semifinais em Paris — a primeira brasileira a alcançar essa fase desde Andrea Vieira, em 1987 —, mas foi superada pela chinesa Xinran Sun em sets diretos (6/2 e 6/3).

Além do prestígio, há peso concreto em jogo: o campeão juvenil recebe 1.000 pontos na ITF, o vice 700, recursos que aceleram a transição para o circuito profissional. Para o tênis brasileiro, a final de Guto Miguel significa uma chance clara de reescrever parte da história no Grand Slam de saibro e testar se a geração atual converte desempenho juvenil em títulos e projeção internacional.