Luiz Augusto Queiroz Miguel, o Guto, de 17 anos, entrou para a história do tênis brasileiro ao conquistar o título de simples juvenil em Roland Garros. Em Paris, o goiano derrotou o norte-americano Michael Antonius por 6/2 e 6/4 na final, tornando-se o primeiro brasileiro a erguer a taça juvenil no saibro francês — um marco que não ocorria desde a única final brasileira masculina no torneio, disputada por Luís Felipe Tavares em 1967.
Guto começou o evento como quarto colocado no ranking mundial juvenil e, com o título, assume a liderança da lista da ITF entre os até 18 anos. Apesar do feito, o jovem segue com participação ainda discreta entre os profissionais: ocupa a 829ª colocação no ranking da ATP. Em declaração após a final, ressaltou a importância do momento e a necessidade de manter pé no chão e trabalho constante para evoluir além da categoria juvenil.
O caminho até a final não foi simples. Na semifinal, Guto superou o compatriota Leonardo Storck por 2 sets a 1 (6/1, 3/6 e 6/2). Storck, 17 anos, havia entrado em Paris depois de vencer o Junior Series em São Paulo — torneio organizado em parceria entre CBT, Cosat e a Federação Francesa — e vinha como 56º do ranking juvenil antes do Grand Slam; entre os profissionais, figura na posição 1782.
A campanha brasileira em Paris teve ainda a boa atuação da potiguar Victoria Barros, de 16 anos, terceira do mundo entre as juvenis, que chegou às semifinais e foi eliminada pela chinesa Xinran Sun por 6/2 e 6/3. Victoria é a primeira brasileira a alcançar as semifinais juvenis em Roland Garros desde Dadá Vieira, em 1987. O título de Guto junta-se aos feitos de Tiago Fernandes (Aberto da Austrália, 2010), Thiago Wild (US Open, 2018) e João Fonseca (US Open, 2023) como conquistas brasileiras em Grand Slam juvenil.