No GP de Barcelona deste domingo, Lewis Hamilton conquistou a vitória que encerrou um jejum de 595 dias da Ferrari — um período equivalente a 34 corridas sem subir ao topo do pódio. O triunfo em Barcelona é o primeiro da escuderia desde o GP do México de 2024, quando Carlos Sainz venceu, e impede que a série negativa se alongue ainda mais.

A sequência entra para o top‑5 dos piores jejuns da história da equipe de Maranello, empatada com a seca entre 2013 e 2015. Historicamente, a Ferrari já viveu períodos sombrios — como as longas pausas no início dos anos 1990 —, mas a amplitude recente reforça que o time passou por uma fase prolongada de dificuldades técnicas e estratégicas.

Na análise técnica, a equipe avançou no chassi e na aerodinâmica em relação ao SF‑25 do ano passado, mas o material‑base aponta que o motor segue atrás do produzido pela Mercedes. Em Barcelona, a vitória veio mais por combinação de estratégia — uma alternativa de três paradas muito bem executada — e por um safety car virtual provocado por Fernando Alonso, que permitiu a Hamilton realizar paradas sem perder tanto tempo. A sprint conquistada na China também não entra para as estatísticas oficiais de corridas vencidas.

O resultado alivia a pressão sobre Maranello e dá fôlego aos tifosi, mas não resolve as fragilidades estruturais apontadas: sem evolução do conjunto propulsor, a Ferrari corre o risco de permanecer como segunda força do campeonato. A vitória em Barcelona é, portanto, um respiro político e esportivo; a continuidade do progresso dependerá de respostas concretas do time em motor e desenvolvimento ao longo da temporada.