A Federação Saudita surpreendeu ao demitir o técnico Hervé Renard a cerca de dois meses do início da próxima Copa do Mundo. O grego Georgios Donis foi anunciado como substituto, numa decisão que põe em xeque a continuidade do projeto técnico às vésperas da competição e aumenta a pressão sobre a preparação do time que integrará o Grupo H com Espanha, Uruguai e Cabo Verde.

Renard estava no comando da seleção desde 2019, com exceção do período em que trabalhou no futebol feminino da França. Foi ele quem liderou a Arábia Saudita na vitória histórica sobre a Argentina na estreia do Mundial de 2022, campanha que terminou, porém, com eliminação na fase de grupos. No total, Renard dirigiu a seleção em 77 partidas, com 34 vitórias, 17 empates e 26 derrotas — aproveitamento de 51,5%.

O treinador francês soma, no currículo, conquistas relevantes na África — títulos da Copa Africana das Nações com Zâmbia e Costa do Marfim — e ganhou o apelido de “mago branco”. Ao mesmo tempo, teve passagens conturbadas no futebol europeu, como a breve experiência no Lille, que culminou em demissão após apenas cinco meses e resultados aquém do esperado.

A troca de comando tão próxima do Mundial reflete a insatisfação da federação com os recentes maus resultados, mas também gera riscos claros: perda de ritmicidade tática, necessidade de adaptação rápida dos jogadores às ideias do novo treinador e menos tempo para corrigir erros identificados em amistosos e na preparação. Do ponto de vista institucional, a medida tende a expor a diretoria a críticas pelo timing e pela falta de estabilidade.

Georgios Donis assume um desafio imediato: montar um plano de trabalho eficiente em semanas e tentar recuperar confiança em um grupo que enfrentará seleções tradicionais. A aposta na mudança expressa urgência, mas o efeito prático só poderá ser avaliado no desempenho da Arábia Saudita no torneio.