A Human Rights Watch (HRW) pediu à Fifa que pressione o governo dos Estados Unidos a declarar uma “trégua do ICE” durante a Copa do Mundo de 2026, exigindo uma garantia pública de que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) não fará operações de fiscalização migratória nos estádios e cidades-sede. A proposta, inspirada na antiga Trégua Olímpica, visa proteger atletas, torcedores e trabalhadores durante o maior torneio — que será coorganizado por EUA, Canadá e México entre 11 de junho e 19 de julho.

A HRW justifica o pedido pelos riscos associados à política de imigração da administração Trump, com o ICE no centro de deportações e ações que, segundo grupos de defesa, já criaram ambiente de insegurança e violações de direitos, sobretudo para minorias. Organizações emitiram alertas de viagem informando que visitantes podem ser submetidos a detenções arbitrárias, revistas em dispositivos eletrônicos e perfilamento racial ao transitar pelo país.

Além da trégua, a entidade cobrou transparência da Fifa sobre o prêmio da paz concedido ao presidente Donald Trump em dezembro, solicitando detalhes sobre indicados, critérios e processo de seleção. A sequência de advertências e críticas, incluindo posicionamento da Anistia Internacional de que o torneio se afasta da promessa de ser 'seguro, livre e inclusivo', amplia a pressão sobre a entidade que organiza o futebol mundial.

A Casa Branca respondeu afirmando que a Copa será um evento monumental, que demanda coordenação entre autoridades federais, estaduais e locais, e disse que a prioridade é garantir segurança para torcedores. A divergência, porém, deixa a Fifa em posição delicada: terá de conciliar a busca por uma competição aberta e acolhedora com a realidade das políticas migratórias do país-sede, sob risco de desgaste reputacional e impacto na experiência dos visitantes.