A chegada do Flamengo a La Plata para a semifinal contra o Estudiantes reacendeu na imprensa argentina um paralelo ambicioso: a comparação com o Boca Juniors da era Riquelme. O raciocínio é simples e numérico: o clube carioca conquistou a América em 2019, 2022 e 2025 e, se repetir o feito em 2026, alcançará quatro taças em oito anos — o mesmo feito de Boca entre 2000 e 2007.

Os números usados pelo debate reforçam a leitura de domínio. Em confrontos continentais recentes o Flamengo aparece com duas partidas a menos que o Boca (88 a 90), mas supera em vitórias (56 a 51) e gols marcados (165 a 156), além de ter menos derrotas (13 a 18) e sofrer menos gols (66 a 79). Uma pontuação fictícia que dá peso a campanhas também aproxima os clubes: 28 pontos para o Boca naquele período contra 23 do Flamengo.

A reação dos argentinos mistura respeito e ressalvas. Analistas destacam que o Flamengo impõe um padrão de resultado e elenco, já apelidado pela mídia local de “time europeu na América do Sul” em avaliações passadas. Ao mesmo tempo, repete‑se uma crítica editorial: falta ao rubro‑negro um rosto simbólico, um jogador‑símbolo capaz de personificar a geração do jeito que Riquelme fez pelo Boca.

No plano prático, a comparação aponta tanto para reconhecimento quanto para limites. Estatísticas e troféus colocam o Flamengo em posição de hegemonia, mas a validação final depende de desempenho diante de adversários de mata‑mata — começando nesta quinta. Para os argentinos, ver o clube brasileiro como referência expõe também a fragilidade dos rivais locais e reconfigura a hierarquia continental.