A eliminação da Croácia para Portugal por 2 a 1 — com decisão polêmica do VAR que anulou o gol de Gvardiol aos 58 minutos do segundo tempo — provocou reação imediata da imprensa local. Jornais e portais acusaram o árbitro norueguês Espen Eskas de parcialidade e colocaram em dúvida o papel da chamada "bola inteligente", que sinalizou um toque de Igor Matanovic antes da conclusão.

O diário Vecernji List não hesitou: "Roubaram a Croácia, deliberadamente", escreveu, ao criticar várias decisões que, segundo a publicação, favoreceram Portugal. O Gol.dnevnik.hr ironizou o critério técnico do VAR ao destacar que o suposto desvio ocorreu no cabelo do atacante: "Se Matanovic fosse careca, a Croácia teria empatado", disse o portal. O N1 Sportklub definiu o jogo como uma "Tragédia em Toronto", enquanto o Index conciliou indignação e orgulho, com a manchete "Bravo, Croácia", elogiando a campanha e ainda lembrando a provável despedida de Luka Modric.

Os fatos confirmam que houve contato: o próprio Matanovic admitiu sentir o toque. A controvérsia, porém, está na tradução desse detalhe técnico para uma decisão que mudou o resultado e eliminou a seleção. A discussão não é apenas sobre precisão dos sensores, mas sobre percepção de justiça em partidas decisivas — e sobre como uma regra aplicada com rigor extremo pode ser vista como falta de espírito esportivo quando o contato é microscópico.

Além da revolta imediata, a sequência de críticas expõe um problema maior: a consolidação de narrativas de parcialidade que tendem a persistir independentemente da análise técnica. Resta à Croácia o consolo da campanha e a celebração da equipe e de Modric; ao futebol, o desafio de equilibrar tecnologia e legitimidade do resultado em jogos que definem carreiras e memórias.