O presidente da Fifa, Gianni Infantino, anunciou o recuo na criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) após uma reação coordenada de confederações, liderada pela Uefa. A proposta previa a criação de uma subsidiária com participação privada para operar as principais competições da entidade e captar até US$ 4,2 bilhões.
A Uefa foi a principal voz contrária: alegou perda de confiança na liderança da Fifa e convocou as 55 associações europeias a boicotar competições da entidade enquanto a ideia não fosse abandonada. Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também manifestaram reprovação; a Conmebol manteve postura pública neutra. Um assessor de Infantino chegou a renunciar em protesto contra a proposta.
Além do revés institucional, o plano tinha implicação direta no bolso do dirigente. Relato do jornal The Times afirma que, com a FFE, o salário anual de Infantino poderia subir para cerca de US$ 30 milhões — frente aos US$ 4,8 milhões brutos reportados pela Fifa em 2025 (US$ 2,6 milhões de salário-base e US$ 2,2 milhões em bônus). A proposta incluiria, segundo a reportagem, controle continuado de Infantino sobre a nova empresa sem limite de mandatos.
O recuo em apenas três dias aponta para uma derrota política clara e expõe fragilidades na articulação interna da Fifa. A rejeição pública por grandes confederações acentua desgaste e levanta questões sobre governança, transparência e os limites de iniciativa do comando da entidade. Resta saber como o episódio influenciará a confiança das federações e a agenda de reformas prometida pela presidência.