O Internacional formalizou nesta terça-feira um pedido à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para ser reconhecido como campeão do Campeonato Brasileiro de 2005. A entrega foi feita ao presidente da entidade, Samir Xaud, e acompanhada por autoridades do clube: o presidente Alessandro Barcellos, o ex-presidente Fernando Carvalho, o vice de jurídico Jorge Oliveira Filho e o presidente da FGF, Luciano Hocsman.

O requerimento se apoia no escândalo conhecido como 'Máfia do Apito', que levou à anulação de 11 partidas daquela edição por decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O Inter alega que as manipulações impactaram diretamente a definição do campeonato e apresenta documentos, um laudo técnico de Leonardo Gaciba, depoimentos resgatados — entre eles do ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho e do então presidente do Corinthians, Alberto Dualib —, além de material jornalístico e um documentário exibido pelo SporTV e Globoplay.

No pedido, o clube pede expressamente o reconhecimento do título em conjunto com o Corinthians, sem prejuízo ao clube paulista, com o argumento de promover 'reparação histórica' pelos efeitos das decisões tomadas à época. A operação traz para a CBF uma demanda sensível: além da análise jurídica, há um componente simbólico e institucional sobre como a entidade lida com passivos de irregularidades em competições do passado.

O movimento do Inter reforça precedentes citados pela própria documentação e coloca pressão para que a CBF esclareça se e como reconhecimentos históricos podem ser formalizados sem alterar resultados já consolidados. Se acolhido, o pedido terá impacto sobretudo simbólico, mas pode abrir novo capítulo de debates sobre responsabilidade, memória esportiva e critérios adotados para correções históricas.