O Internacional saiu do Couto Pereira com um empate que traduz bem o atual momento do time: determinação coletiva para nunca aceitar a derrota, mas também dependência de reação e exposição a falhas defensivas. No 2 a 2 contra o Coritiba, os gaúchos chegaram a controlar trechos da partida, reagiram em dois momentos e celebraram a virada parcial, mas permitiram chances que quase custaram os três pontos.

As escolhas táticas de Paulo Pezzolano têm efeito visível no comportamento da equipe, mas nem sempre resolvem pontos sensíveis. Allex voltou a ser escalado com tarefas de recomposição que não são seu ponto forte, enquanto Vitinho mostrou maior dinâmica para romper linhas. No segundo gol do Coritiba, um lançamento de Josué encontrou Lavega livre para finalizar — sinal claro de que marcação e posicionamento precisariam ser mais compactos. O retorno de Rochet ao gol também teve um momento incômodo quando um lance terminou com o arqueiro vencido pela finalização adversária.

Ao mesmo tempo, é justo reconhecer o mérito de um grupo que não se entrega. Borré, presente na área, e Félix Torres, que foi à frente e empurrou o time para buscar o empate já nos acréscimos, exemplificam a reação que tem sustentado a sequência sem derrotas: cinco jogos invicto e, nos últimos 11, seis vitórias, quatro empates e apenas uma derrota. Esse espírito evita baixas imediatas na tabela, mas não substitui a necessidade de correção defensiva.

A próxima etapa exigirá ajuste e planejamento: há jogo de volta pela Copa do Brasil na terça-feira (19h30), em casa, e na sequência o duelo com o Vasco, sábado às 18h30 no Beira-Rio — para o qual Pezzolano não contará com Félix Torres e Victor Gabriel, suspensos. O ponto arrancado no Paraná tem valor moral, mas também amplia a conta: transformar entrega emocional em regularidade de resultados passa por reduzir erros pontuais, ajustar funções e preservar capacidade ofensiva sem abrir mão da solidez defensiva.