O Internacional enfrenta o Santos neste domingo no Beira-Rio em condição de emergência. Suspenso, Paulo Pezzolano não estará à beira do campo e dará lugar ao auxiliar Esteban Conde — que, até aqui, ainda não venceu como treinador: foram três jogos no comando e três derrotas (2 a 1 para o Ypiranga no Gauchão; 1 a 0 para o Bahia e 2 a 0 para o Athletico, ambos pelo Brasileirão). O retrospecto traduz a amplitude da crise: sete partidas sem vitória em todas as competições e nove jogos sem triunfo no Brasileirão, com cinco derrotas no período.

A diretoria, personificada pelo presidente Alessandro Barcellos, reiterou apoio à comissão técnica, mas o discurso mudou de tom. Barcellos afirmou a necessidade de pontuar para tirar o clube da zona de rebaixamento e confirmou que a equipe seguirá com o mesmo grupo e comissão neste domingo. Ainda assim, a manutenção pública do treinador convive com sinais claros de esgotamento do projeto se os resultados não aparecerem.

O caráter do jogo aumenta a pressão. O Inter ocupa a 18ª posição, com 25 pontos — mesma pontuação do Mirassol, primeiro fora do Z-4, mas com uma vitória a menos — e a eliminação para o Grêmio na Copa do Brasil aprofundou a turbulência no Beira-Rio. Além do alívio imediato na tabela, o confronto vale um componente psicológico e político: um ponto ou derrota deixa a equipe mais afundada; a vitória daria respiro, mas não resolveria as contradições que já se acumulam.

A opção por entregar a equipe a um auxiliar sem vitórias registra um risco claro: obrigar Conde a encontrar respostas rápidas diante de um elenco em baixa e de uma situação que pede respostas de direção. Se o jogo servir de termômetro, o resultado poderá acelerar cobranças internas e externas e complicar ainda mais a narrativa oficial de estabilidade. Em síntese, o domingo no Beira-Rio é tanto partida quanto prova de fogo para a gestão esportiva do clube.