O governo do Irã afirmou nesta quarta-feira que a seleção está preparada para disputar a Copa do Mundo de 2026, marcada para começar em 11 de junho. Em entrevista à emissora estatal IRIB, a porta‑voz Fatemeh Mohajerani, citada pela Al Jazeera, disse que o Ministério dos Esportes vem tomando as providências necessárias para viabilizar a presença do país no torneio.

A possibilidade de boicote ganhou destaque após o início do conflito com os Estados Unidos no fim de fevereiro. A embaixada iraniana no México chegou a sugerir que os jogos da seleção fossem disputados em território mexicano, diante da previsão de que os três compromissos na fase de grupos ocorrerão em sedes americanas — dois em Los Angeles e um em Seattle. O presidente da federação, Mehdi Taj, buscou conciliar a postura política com a agenda esportiva: "Vamos boicotar os Estados Unidos, mas não vamos boicotar a Copa do Mundo."

Vamos boicotar os Estados Unidos, mas não vamos boicotar a Copa do Mundo. — Mehdi Taj, presidente da federação de futebol do Irã

A própria cúpula do futebol internacional deu sinais de que a seleção iraniana deve ir ao Mundial. A Fifa repetiu que não tem papel para resolver conflitos geopolíticos, posicionamento reafirmado por seu presidente ao comentar a situação. Ainda assim, a decisão expõe uma tensão óbvia: separar futebol e diplomacia será mais difícil do que simplesmente confirmar a logística das partidas.

Além do aspecto simbólico, a manutenção da participação cria desafios práticos para organizadores e seleções — segurança, trânsito de torcedores e eventuais pressões diplomáticas estarão no radar até junho. O Irã estreia em 15 de junho contra a Nova Zelândia, em Los Angeles; enfrenta a Bélgica em 21 de junho, também em Los Angeles; e fecha a fase de grupos contra o Egito em 27 de junho, em Seattle.