A exclusão da Itália de mais uma Copa do Mundo, a terceira seguida, reacende um debate incômodo: o problema é estrutural. Ex-companheiros da Inter como Materazzi, Lúcio e Sneijder apontaram falta de oportunidades aos jovens e uma mudança de perfil do Campeonato Italiano, que hoje tem mais da metade dos atletas nascidos fora do país.
Materazzi criticou a mentalidade vigente e pediu à federação e aos clubes que deem espaço aos talentos nacionais para que possam evoluir no alto nível, em vez de permanecer restritos a divisões inferiores. Lúcio, que viveu anos de sucesso na Itália, avaliou a ausência no Mundial como uma perda histórica e defendeu reformas imediatas para evitar nova frustração em quatro anos.
Além das críticas técnicas, a crise ganhou contornos institucionais: após a eliminação nos playoffs — a última diante da Bósnia — o presidente da federação, Gabriele Gavina, renunciou, e nomes como Gianluigi Buffon e Gennaro Gattuso já deixaram seus postos. A eleição marcada para 22 de junho torna o calendário curto e a janela de reconstrução mais apertada.
O diagnóstico dos veteranos mistura nostalgia e agravo prático: sem mudança na política de formação e sem uma estratégia clara de integração dos jovens ao elenco principal, a Itália corre o risco de estagnar na irrelevância esportiva e perder também impacto econômico e reputacional. A pressão agora é por decisões que transformem críticas em renovação concreta.