A Itália carregou para Zenica um histórico ambíguo com decisões por pênaltis e saiu do Estádio Bilino Polje com a sensação amarga das eliminações traumáticas: empate por 1 x 1 no tempo normal, prorrogação sem alteração no placar e derrota por 4 x 1 na série da cal, que culmina na ausência dos tetracampeões na Copa de 2026.

Moise Kean colocou a Azzurra na frente aos 15 minutos, dando a impressão de que a seleção italiana poderia superar o sufoco recente após a vitória sobre a Irlanda do Norte. A opção pelo 3-5-2, com linhas altas e propensão ao ataque, porém, acabou expondo a defesa: Memic avançou livre pela esquerda e acabou derrubado por Bastoni, que recebeu o cartão vermelho a sete minutos do intervalo.

A expulsão de Bastoni mudou radicalmente o equilíbrio da partida.

A expulsão reescreveu o jogo. Dominante na posse, a Bósnia somou 289 passes contra 93 da Itália e finalizou muito mais (12 a 4), obrigando Donnarumma a segurar a igualdade. A partir daí, coube à seleção visitante resgatar a solidez defensiva clássica, sem conseguir transformar raras oportunidades em vantagem definitiva mesmo na prorrogação.

Nos pênaltis, a pressão pesou sobre os italianos: Tahirovic abriu a série com sucesso, Piu Esposito isolou a cobrança crucial para a Azzurra e Cristante também desperdiçou. A Bósnia não errou e garantiu sua vaga no Grupo B do Mundial de 2026, enquanto a Itália, que não disputa o torneio desde 2014, amargou a terceira ausência consecutiva.

Além da frustração esportiva, a eliminação reabre questionamentos sobre escolhas táticas, construção de elenco e a liderança técnica de Gennaro Gattuso. A derrota em Zenica tem custo político e simbólico para o futebol italiano: a imagem de uma potência em declínio exige respostas rápidas dos responsáveis pela reconstrução do projeto nacional.

Na marca da cal, os italianos repetiram tropeços que pesam sobre a reconstrução do futebol nacional.