Depois do 2 a 0 sobre o Vitória, Leonardo Jardim tomou a palavra para rebater críticas ao seu trabalho no Flamengo e explicar o contexto da equipe. O treinador ressaltou que o elenco voltou fragmentado das paradas — jogadores na seleção, em recuperação ou de férias — e que a rotina de treinos sofreu por cerca de dois meses. Nos 10 dias entre rodadas, segundo Jardim, foi possível reapertar a preparação coletiva e recuperar intensidade, algo que apareceu na primeira metade do duelo contra o time baiano.

Jardim também relacionou a reação negativa a um padrão que, na visão dele, já foi repetido no clube: citou as críticas que atingiram Filipe Luís mesmo após um currículo de títulos recentes. Para o técnico, a exigência do torcedor e da imprensa é natural, mas existe uma incompreensão sobre o tempo necessário para readaptar atletas que vêm de lesão ou longas ausências. Ele defendeu decisões de lançar jogadores ainda em processo de melhora, como Arrascaeta — que teve 60 minutos de bom rendimento — e Paquetá, que ainda não está em sua melhor forma.

O treinador elogiou o desempenho coletivo e também ressalvou atuações individuais: mencionou a contribuição de Ayrton Lucas e a evolução de Léo Pereira desde que passou a ser utilizado com mais regularidade. Jardim admitiu, porém, que sustentar o ritmo exigido pelo seu modelo gera desgaste: após 45 minutos de pressão alta alguns atletas sentiram a intensidade na segunda etapa, sinal que ainda precisa de ajustes físicos e de rotação para manter o nível em jogos seguidos.

Sem minimizar o desafio, Jardim já projetou as oitavas da Copa Libertadores contra o Cruzeiro, no Mineirão. Espera um estádio cheio e um confronto de alto risco, reforçando que a competição tem peso histórico para o clube — que conquistou a Taça em quatro ocasiões — e que a ambição do Flamengo segue sendo disputar todas as competições com seriedade. O discurso, no fim, mistura defesa de processos e cobrança por resultados imediatos num ambiente onde a tolerância é curta.