A poucos dias da abertura da Copa do Mundo, Javier Aguirre vai reencontrar emoções que remontam a 1986. À beira do gramado do estádio Azteca, onde atuou como atacante naquela edição, o treinador mexicano reconheceu a carga simbólica de disputar um Mundial em casa e pediu aos jogadores que convertam a energia da torcida em foco, não em ansiedade.
Aguirre reiterou que estar em casa não é sinônimo de favoritismo automático. Segundo o técnico, o desafio é administrar a expectativa pública e manter a execução tática treinada nos últimos meses. Para isso, revela ter submetido o elenco a exercícios que simulam pressão externa, na tentativa de preservar equilíbrio emocional diante de um público massivo e de decisões adversas da arbitragem.
Nos treinos, o clima mistura concentração com descontração: registros mostram jogadores do México brincando de basquete como forma de aquecimento mental, enquanto nomes como Tiago Medeiros compartilham rotinas de adaptação e convivência com a torcida local. A cena resume a estratégia de Aguirre de reforçar a noção de ‘família’ no grupo, alinhando coesão e disciplina antes do pontapé inicial.
A partida de abertura contra a África do Sul, no Azteca, às 16h (horário de Brasília), terá grande cobertura da mídia — incluindo Globo, ge e Sportv — e será o primeiro teste prático da tese do treinador. Se o México conseguir transformar o entusiasmo em rendimento, a conta política e esportiva será compensada; caso contrário, a mesma expectativa que inflama a torcida pode virar pressão sobre a comissão técnica e os jogadores.