Arthur Cabral chegou a 15 jogos sem balançar as redes pelo Botafogo. O último gol foi o hat-trick contra o Corinthians, em 17 de maio — ou seja, quase cinco meses. O número iguala o maior jejum do atacante pelo clube, também de 15 partidas entre agosto e dezembro de 2025, e deixa o ataque em evidência: o time soma quase três meses sem atacantes anotando no Brasileirão.
A raiz do problema passa por tática e perfil. Sob Franclim Carvalho e Rodrigo Bellão, o Botafogo atuou por longos trechos de maneira reativa, apostando em transições e na velocidade das pontas (Matheus Martins, Villalba, Júnior Santos). Cabral, centroavante de presença física e referência na área, ficou subutilizado num desenho que privilegia profundidade e espaço — recebeu poucas bolas para explorar sua força e posicionamento.
Quando a equipe tem a bola, a contribuição ofensiva do camisa 9 também ficou aquém do esperado: faltaram pivôs, deslocamentos que abrissem linhas e corridas em profundidade. No período do jejum, ele registrou uma finalização a cada 98 minutos. Além da falta de gols, há erros de posicionamento que não aparecem nas estatísticas, como a falta que anulou o gol de Danilo contra a Chapecoense.
A consequência é palpável: cresce a pressão da arquibancada por uma alternativa. Tiquinho Soares voltou, mas somou apenas 43 minutos em quatro jogos, sem gols ou assistências; Júnior Santos acumula 16 partidas sem marcar. Tite tem opções — dupla de ataque ou mais mobilidade —, mas a chegada de Ziyech à ponta direita limita mudanças imediatas. O clube precisa decidir se adapta o esquema ao perfil do centroavante ou busca outra solução ofensiva antes que a sequência prejudique resultados e desgaste a confiança da torcida.