O Jornal Nacional dedicou um episódio de sua série sobre a identidade do futebol brasileiro ao ingrediente que, segundo o programa, sustentou os últimos dois títulos: a união. A reportagem enumera seis elementos que formam a 'espinha dorsal' da Seleção; talento, raça e ousadia já foram tratados, e criatividade e fé serão mostradas em capítulos seguintes.

Como exemplo prático, o filme jornalístico resgata o gesto coletivo das mãos dadas, adotado pelas eliminatórias de 1993 e mantido até a final do Mundial de 1994. Lideranças daquele grupo lembram que o ato marcou uma coesão rara e teve papel simbólico na construção do tetra. Jogadores da geração de 94 reforçam a ideia de que a ligação pessoal entre atletas foi decisiva dentro e fora de campo.

O penta, por sua vez, é associado ao que a reportagem chama de 'família Scolari'. Felipão é lembrado por ter montado um ambiente de trabalho em que a proximidade e o entrosamento foram cultivados como estratégia para superar descrédito externo. Ex-integrantes contam que o clima era de confraternização, hábito que persiste até hoje nas reuniões do grupo campeão em 2002. Técnicos contemporâneos, como Ancelotti, citam esse modelo como referência para formar equipes vencedoras, e jogadores atuais veem no mesmo perfil um caminho para buscar o hexa.

A abordagem do JN reforça um ponto simples, porém concreto: campeonatos não se ganham apenas com talento técnico, mas com articulação humana que transforme qualidade individual em força coletiva. Para torcedores e comandantes, a lição é prática — cultivar lideranças internas e um vestiário saudável pode ser tão determinante quanto as escolhas táticas.