A promotoria de Milão abriu investigação sobre uma agência acusada de organizar festas com acompanhantes e uso de óxido nitroso, esquema que, segundo o jornal Gazzetta dello Sport, envolve cerca de 50 jogadores da Serie A, incluindo atletas da Inter e do Milan. Os promotores apontam indícios que ligam parte do elenco das equipes aos eventos e às transações financeiras associadas à empresa.

A operação, com sede em Cinisello Balsamo, teria oferecido pacotes de comemorações pós-jogo em hotéis de luxo e em destinos como Mykonos. Os dois principais suspeitos, identificados pela investigação como Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, estão em prisão domiciliar, assim como outros associados. Entre as provas citadas estão perfis em redes sociais seguidos por jogadores, registros de transferências e interceptações que mencionam a presença de mulheres, inclusive uma suposta negociação envolvendo uma brasileira.

A legislação italiana não criminaliza a prostituição voluntária, mas tipifica como crime a organização e a exploração sexual. A denúncia afirma que mulheres eram forçadas a vender serviços, moravam na sede da agência e recebiam apenas metade do valor cobrado; o restante seria apropriado pelos organizadores. A investigação também menciona uso de óxido nitroso nas festas e a manutenção das atividades mesmo durante a pandemia, com relatos de uma boate clandestina na sede.

Além do impacto penal sobre os responsáveis, o caso coloca os clubes sob pressão reputacional e levanta perguntas sobre a conduta e a supervisão de atletas profissionais. A amplitude das apurações e a participação de celebridades, empresários e até pilotos de Fórmula 1 tornam o episódio um desafio para a imagem do futebol italiano e podem aumentar a demanda por esclarecimentos públicos e medidas internas das equipes envolvidas.