A Justiça do Rio de Janeiro negou, em decisão desta segunda-feira, o pedido de liminar do Vasco que buscava obrigar a Fla-Flu Serviços S.A. a disponibilizar o Maracanã para a partida de volta da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, marcada para 20 de outubro. A juíza Adriana Marques dos Santos Laia Franco considerou que não estavam presentes os requisitos para tutela de urgência, sobretudo pela existência de laudos técnicos conflitantes sobre as condições e a recuperação do gramado.
No julgamento, a magistrada ressaltou que a controvérsia técnica entre os documentos apresentados pelo clube e pela concessionária impede uma decisão liminar. O Vasco sustentou que a realização do jogo no Maracanã não causaria dano irreversível ao campo; a concessionária, por sua vez, apresentou pareceres apontando risco à recuperação do gramado e incompatibilidade com o calendário de uso. A decisão também citou uma manifestação da Polícia Militar anexada pela concessionária que apontou viabilidade de realização no Estádio Nilton Santos. Cabe recurso ao Tribunal de Justiça.
A negativa da liminar amplia a pressão sobre o Vasco, que precisa oficializar o estádio com antecedência: o clube tem até dez dias antes do jogo — ou 10 de outubro — para definir a praça do duelo; se a partida ocorrer fora do Rio, a Conmebol exige comunicado com até 15 dias de antecedência. Paralelamente, o clube tenta viabilizar São Januário, mas o estádio ainda não atende ao mínimo exigido pela Conmebol (30 mil lugares). O Corpo de Bombeiros autorizou aumento de capacidade para 24 mil, um avanço administrativo que, no entanto, não resolve a obrigatoriedade do regulamento continental.
Além do impacto esportivo — perda potencial da vantagem de jogar em casa e incerteza para a torcida — a disputa revela custo organizacional e institucional: logística, receita de bilheteria e calendário ficam sujeitos à indefinição, e a relação entre clube e concessionária tende a permanecer tensa enquanto os laudos não forem conciliados. Com o prazo apertado, o Vasco terá de reagir rapidamente ou enfrentar a possibilidade de transferir o jogo, cenário que ainda será decidido nos próximos passos legais e administrativos.