Aos 20 minutos do primeiro tempo, Kevin Lenini Gonçalves Pereira de Pina converteu uma falta direta e fez o primeiro gol da história de Cabo Verde em Copas. Aproveitando uma barreira reduzida — apenas dois jogadores — e uma abertura na proteção dos defensores uruguaios, o defensor bateu com precisão e colocou seu país no placar, num momento que já entrou para o arquivo histórico do futebol cabo-verdiano.

Aos 29 anos, Pina nasceu na Praia e vive atualmente no futebol russo, defendendo o Krasnodar desde 2022. Pelo clube, soma 39 partidas, com dois gols marcados na temporada 2025/2026. A combinação entre experiência internacional e presença na seleção rendeu a ele a responsabilidade da cobrança em um dos jogos mais importantes da curta história futebolística de Cabo Verde.

Em entrevista ao canal Record D'Nos, o jogador relatou que os primeiros passos na carreira vieram por acaso: frequentava uma escolinha de bairro, entrou num treino para suprir a falta de um jogador, e acabou sendo convidado a voltar. Passou pela escola Bola pra Frente e, mais tarde, pelas divisões de base até a Primeira Divisão local. Pina também disse que se inspira em Andrés Iniesta, referência que explica parte de sua leitura de jogo e técnica nas bolas paradas.

Além do significado simbólico, o gol projeta Cabo Verde em outra escala e amplia a visibilidade de jogadores formados em estruturas modestas. Para Pina, é também a confirmação de uma trajetória que saiu das ruas da Praia e chegou ao palco máximo do futebol. O momento eleva a moral da seleção africana e coloca em evidência o valor de investimentos em formação, sem exageros: um gol que tem efeito prático na história e no futuro do esporte no país.