Khvicha Kvaratskhelia se consolidou como a principal referência do Paris Saint-Germain na atual edição da Champions League. Com 10 gols e seis assistências no torneio, o camisa 7 tem sido tão decisivo quanto as estrelas do plantel e venceu o prêmio de melhor em campo por quatro partidas ao longo da competição.

No mata‑mata, o impacto foi ainda mais claro: ninguém do torneio contribuiu tanto diretamente para gols quanto ele (sete gols e três assistências). Na temporada pelo clube francês soma 19 gols e 10 assistências em 47 jogos, dividindo a artilharia interna com Dembélé — um salto que confirma sua transição de promessa a protagonista.

A trajetória, porém, é marcada por reviravoltas. Formado no Dinamo Tbilisi, Kvaratskhelia passou por clubes modestos até chegar ao futebol russo, onde se destacou no Rubin Kazan — clube que o contratou por cerca de 900 mil euros e onde somou nove gols e 18 assistências em 73 partidas. Fora do campo, enfrentou isolamento e a pressão de viver distante de casa.

A invasão da Ucrânia em 2022 foi um divisor de águas: a decisão da Fifa que permitiu a estrangeiros suspender contratos na Rússia e na Ucrânia acelerou sua saída. De volta à Geórgia, reencontrou desempenho imediato — oito gols em 11 partidas pelo Dinamo Batumi — e voltou ao radar da elite europeia, passando pelo Napoli antes de se firmar no PSG. É a foto de um jogador cuja carreira foi diretamente moldada por um choque geopolítico, e que hoje retribui o investimento com gols e presença decisiva nas fases finais da Champions.