O presidente do Barcelona, Joan Laporta, veio a público defender que o Camp Nou seja avaliado como sede da final da Copa do Mundo de 2030. Em entrevista à Cadena SER, ele ressaltou a capacidade do estádio — cerca de 105 mil lugares após a reforma — como argumento técnico para disputar com a proposta marroquina de levar a decisão para Casablanca, onde está previsto um novo estádio para 115 mil torcedores.

A intervenção de Laporta amplia a disputa institucional em torno da organização do torneio. A candidatura conjunta de Espanha, Portugal e Marrocos prevê 20 estádios e 17 cidades, com maioria espanhola (nove cidades e 11 arenas), e o clube catalão busca transformar a dimensão do Camp Nou em um trunfo de visibilidade internacional. Laporta lembrou ainda que o Santiago Bernabéu já sediou uma final (1982), usando precedentes para sustentar a reivindicação espanhola.

Politicamente, a defesa do Camp Nou tensiona a negociação entre federações, autoridades locais e a própria Fifa, que terá de conciliar capacidade, legado e regionalidades numa edição com sedes em seis países (Espanha, Portugal, Marrocos, Argentina, Paraguai e Uruguai). As cidades sul-americanas, conforme o dossiê, devem receber jogos apenas na fase inicial em homenagem ao centenário do Mundial de 1930.

Mais do que um pleito esportivo, a proposta de Laporta busca capitalizar a reforma do estádio e o prestígio do Barcelona em defesa de uma final em solo espanhol. Resta à Fifa avaliar critérios técnicos e políticos — e aos organizadores equilibrar pretensões distintas: modernidade e capacidade vs. distribuição geográfica e simbólica da competição.