A aplicação da chamada 'Lei Vini Jr.' voltou a provocar debate nesta segunda rodada da Copa do Mundo 2026. Miguel Almirón foi expulso após cobrir a boca em uma discussão no fim do primeiro tempo de Turquia x Paraguai — a primeira vez que a norma foi usada em partida oficial. O árbitro salvadorenho Iván Barton acionou o VAR e confirmou o cartão vermelho que deixou o Paraguai com um atleta a menos no segundo tempo.

Em entrevista coletiva, o técnico Gustavo Alfaro reconheceu que a expulsão seguiu o texto do regulamento, mas criticou o que chamou de rigor excessivo. Alfaro argumentou que gestos de reflexo, comuns no calor do jogo, passaram a ter consequência máxima e disse preferir ao menos um cartão amarelo. O treinador também manifestou preocupação com a possibilidade de sanções que extrapolem esta competição e prejudiquem jogadores em torneios futuros.

Além da expulsão, Alfaro reclamou de outras decisões associadas às novas normas da Fifa, como gerenciamento do atendimento médico e acréscimos considerados excessivos. Para ele, inconsistências na aplicação das medidas geram sensação de injustiça e alteram a disputa: 'O que queremos é ganhar ou perder porque o adversário foi melhor', afirmou, cobrando tratamento uniforme das situações.

A estreia disciplinar de uma regra que visa coibir manifestações discriminatórias acende um debate legítimo sobre equilíbrio entre combate a abusos e preservação da dinâmica do futebol. Há consenso sobre a necessidade de medidas contra preconceito, mas a discussão agora é sobre proporcionalidade e clareza operacional: como fiscalizar sem transformar reações espontâneas em penalidades que moldem o comportamento em campo de forma artificial.