O Leicester City, clube que protagonizou um dos maiores inesperados do futebol ao conquistar a Premier League em 2016, teve confirmado o rebaixamento à terceira divisão após o empate em 2 a 2 com o Hull City. A queda ganhou manchetes na Europa: jornais espanhóis falaram em 'abismo' e 'colapso', a Reuters definiu o episódio como humilhante e o The Times ressaltou o simbolismo de o campeão de 2016 chegar ao fundo do sistema inglês em menos de uma década.
A trajetória recente acentua a deterioração. Após o título histórico, o Leicester manteve-se competitivo por alguns anos e conquistou a FA Cup em 2021, mas problemas administrativos e esportivos se acumularam: o clube caiu à Championship em 2023, fez ajustes na folha — ela chegou a ter redução de 48% — e, mesmo assim, manteve a maior folha da divisão. De volta à elite, a equipe teve campanha desastrosa em 2024/25 e terminou com 17 pontos a menos que o 17º colocado.
No plano institucional, a responsabilidade recai sobre a direção. O presidente Aiyawatt 'Top' Srivaddhanaprabha e o diretor de futebol Jon Rudkin são apontados por torcedores e parte da imprensa como os responsáveis pela gestão. A ex-CEO Susan Whelan deixou o cargo em outubro, e protestos no King Power Stadium — com faixas pedindo demissões — passaram a marcar as partidas como expressão da insatisfação popular.
As consequências são concretas: a transição entre divisões implica perda drástica de receitas de direitos de TV — na Premier League as somas giram em torno de cem milhões de libras para clubes menores; na segunda divisão esse montante despenca para valores próximos a cinco milhões —, menor apelo comercial e impacto na bilheteria. O quadro exige reestruturação financeira, clareza na governança e decisões urgentes sobre elenco e ativos, sob o risco de o clube entrar em ciclo longo de queda e desconfiança institucional.