Leila Pereira voltou a se posicionar de forma incisiva durante o encontro dos 40 clubes das Séries A e B na sede da CBF, no Rio de Janeiro. Questionada sobre a disposição do Flamengo de caminhar junto ao Palmeiras nas negociações pela liga única, a dirigente respondeu com tom de cobrança: ninguém deve se colocar acima dos demais.
A fala de Leila, que misturou ironia e objetivo prático, ganhou destaque ao criticar dirigentes que se comportam como se fossem o padrão a ser seguido. Ao mesmo tempo em que rebate a ideia de protagonismo individual, a presidente do Palmeiras voltou a enfatizar que o projeto só avança se houver consciência coletiva sobre a necessidade de uma competição valorizada e com regras iguais para todos.
Nenhum clube é maior que os demais; o Palmeiras não se coloca como o centro do universo.
Do ponto de vista institucional, a reunião teve caráter técnico: a CBF apresentou um cronograma para a unificação — incluindo a divisão em blocos comerciais (Libra e FFU) — e abriu prazo até o fim de julho para que clubes apresentem propostas e sugestões. A entidade sinalizou a intenção de inaugurar o estatuto da futura liga até o fim deste ano, o que coloca pressão sobre o calendário decisório.
O episódio expõe um desafio político-econômico central: a criação da liga exige entrega de poder e repartição de receita entre clubes de tamanhos e orçamentos muito distintos. A insistência de Leila na igualdade formal serve tanto como apelo à coesão quanto como aviso de que o projeto não pode ser capturado por interesses individuais. Ao mesmo tempo, a menção ao comportamento de alguns clubes indica que haverá ruído e negociação dura pela frente.
À medida que o prazo para contribuições se aproxima, a dinâmica entre os grandes agentes do futebol brasileiro será determinante para cumprir a promessa de estatuto até dezembro. Se prevalecer o espírito coletivo defendido por dirigentes como Leila, a liga única pode avançar; se prevalecer a resistência de clubes focados em proteger fatias maiores do bolo, o processo tende a atrasar e a gerar custo político para quem lidera a iniciativa.
Para valorizar a competição é preciso que todos tenham o mesmo peso, independentemente de torcida ou receita.