O leilão da SAF do Vasco está marcado para as 14h desta sexta-feira, em audiência presidida pela Justiça na Zona Oeste do Rio. A Almirante Participações S/A, controlada por Marcos Faria Lamacchia, figura como única proponente habilitada e entra no processo na condição de stalking horse bidder — papel que permite fixar um piso para a oferta e ter prioridade para igualar propostas posteriores.

A etapa judicial é obrigatória mesmo com um interessado, porque a venda envolve empresa em recuperação judicial. A Almirante já atendeu exigências do edital: depositou R$ 27 milhões para cobrir ao menos dois anos de pagamentos relacionados à recuperação e concedeu empréstimo DIP de R$ 150 milhões, dos quais R$ 65 milhões foram usados pelo clube para despesas imediatas. Ainda assim, a vitória no leilão não transfere imediatamente o controle da SAF.

O negócio terá de passar por mais vetos institucionais: aprovação da Anresf — que apura possível conflito de interesses por Lamacchia ser enteado de Leila Pereira — e ratificação pelo Conselho Deliberativo e por assembleia geral do Vasco. Há também risco processual remanescente ligado à 777: disputas e execuções ligadas a negócios anteriores chegaram a provocar ações que tentaram barrar a revenda, e seguem sendo acompanhadas pela Almirante.

Se confirmado, o acordo pode dar fôlego financeiro ao clube, mas deixa em aberto prazos e condicionantes que influenciam governança e credibilidade. A rapidez com que Anresf, conselheiros e sócios decidirão sobre o futuro da SAF será determinante para transformar a proposta em gestão efetiva — e para definir se o Vasco terá mesmo uma solução imediata para sua reestruturação financeira.