O presidente da federação marroquina, Fouzi Lekjaa, aproveitou a empolgação com o empate diante do Brasil para projetar uma final entre Marrocos e Espanha e cutucar a escolha do atacante Lamine Yamal por defender a seleção espanhola. Aos 18 anos e já integrado ao elenco do Barcelona, Yamal foi apontado por comentaradores como um dos grandes dribladores do Mundial — avaliação que aumenta a exposição do jovem.
Filho de pai marroquino e mãe guineense, o jogador nasceu na Espanha e poderia, por laços familiares, ter optado por representar Marrocos. Fontes públicas registram que houve tentativas de aproximação entre a federação marroquina e o estafe do atleta, parte de um projeto governamental de captação de talentos liderado pelo rei Mohammed VI. A estratégia rendeu resultados: contra o Brasil, Marrocos entrou em campo com 11 atletas nascidos fora do país; após a saída de Ounahi, passou a ter apenas um jogador nascido em território marroquino.
A provocação de Lekjaa reforça uma narrativa que acompanha o torneio: além da disputa em campo, há uma batalha simbólica pela legitimidade de escolhas nacionais. Para Yamal, a atenção adicional significa pressão midiática e esportiva num momento delicado — ele sofreu uma lesão muscular na coxa em abril, mas o técnico Luis de la Fuente afirmou que o atacante está 'em perfeitas condições' para a estreia. Do lado espanhol, especialistas e modelos colocam a seleção entre as favoritas, o que apenas amplia o potencial confronto direto.
No fim das contas, a menção pública do dirigente marroquino torna explícita a aposta de que a captação da diáspora tem impacto real no desempenho da seleção. Para o jovem atacante, um eventual duelo entre as equipes teria função simbólica: confirmar ou relativizar a escolha feita ainda na adolescência — e, para Marrocos, reforçar a eficácia de um projeto que já mudou a fisionomia do seu elenco.