Contratado por cifras altas, Samuel Lino vinha sendo alvo de expectativa desde o início da temporada. O que parecia ser uma adaptação lenta se transformou em subida de produção nas mãos de Leonardo Jardim: mais participações diretas em gols e presença constante nas jogadas de ataque fazem do camisa 16 uma referência no esquema do treinador.
A mudança tem explicação tática. Jardim costuma centralizar os atacantes e abrir as laterais para o avanço dos laterais, ao mesmo tempo em que solicita mobilidade e trocas de posição. Esse enquadramento tira Lino da obrigação de atuar permanentemente em um contra-1, favorecendo deslocamentos entre linhas e infiltrações com espaço para finalizar ou servir companheiros.
Os números na temporada ilustram o ganho: em 2026, Lino disputou 20 jogos e já soma quatro gols e seis assistências — marca que aponta evolução na relação entre participação e efetividade em campo. Em comparação, o atacante precisou de mais partidas em épocas anteriores para alcançar resultados semelhantes, o que reforça a ideia de adaptação ao novo plano de jogo.
A boa fase de Lino também dialoga com o desempenho de meio-campistas como Paquetá, que tem oferecido soluções ofensivas desde a intermediária. A combinação entre aproximação do meio e liberdade dos atacantes cria mais situações de finalização e coloca Lino em posição para ampliar a produção, tanto em gols quanto em passes para gol.
Apesar do avanço, o custo da contratação e as expectativas seguem na pauta: a confirmação do salto de rendimento passa por consistência ao longo da temporada e por atuações decisivas nas competições maiores, como a Libertadores. Jardim já colhe resultados táticos, mas a prova de fogo será manter o nível quando a carga de jogos e a pressão aumentarem.