Prejudicado por dez desfalques, o Flamengo encontrou em Samuel Lino uma solução prática e imediata para o problema de criação: o atacante assumiu a responsabilidade ofensiva e participou dos três gols na vitória por 3 a 0 sobre o Coritiba, pela 18ª rodada do Brasileirão, no Maracanã. A presença de Lino em zonas de criação foi a grande notícia da tarde.

Com os meias criativos ausentes, Jardim optou por um ataque móvel: Pedro, Bruno Henrique e Luiz Araújo trocaram posições frequentemente, enquanto Lino flutuou por dentro e pelas pontas. A combinação entre Pedro e Lino rendeu desde cedo: aos 10 minutos, após pressão alta e recuperação de Pedro, Lino finalizou para abrir o placar. Aos 31, a expulsão de Pedro Rocha deixou o Coxa com um homem a menos e consolidou o domínio rubro-negro.

No segundo tempo, a proposta se manteve e teve frutos práticos: aos 14, Lino infiltrou pela esquerda e cruzou rasteiro para Pedro, e aos 24 recebeu de novo e fez um belo gol, beneficiado por um desvio. O Flamengo criou 20 finalizações contra oito do Coritiba e controlou a partida tanto na pressão na saída de bola quanto no aproveitamento dos espaços deixados pelo adversário, que tentou se fechar em linhas baixas sem sucesso.

Além do placar, o jogo mostrou que Jardim consegue extrair padrão de jogo mesmo com ausências importantes — e que Lino pode ser mais do que uma peça pontual. A movimentação do atacante oferece alternativa para recompor o setor criativo, sem recorrer apenas a improvisações nas alas. Resta ver se a solução será repetida em desafios com menor número de desfalques e adversários mais qualificados.