Luana Silva viveu um fim de semana amargo em Raglan. Pela primeira vez usando a lycra amarela de líder do ranking, a brasileira foi derrotada nas oitavas de final por Tyler Wright em uma bateria marcada por uma reversão de prioridade dos juízes. A derrota precoce custou a liderança: Luana cai para o segundo lugar do ranking, que passa a ser ocupado pela havaiana Gabriela Bryan.
O episódio decisivo ocorreu com cerca de 20 minutos restantes. Wright remou para uma onda e não conseguiu entrar; pela regra, a prioridade deveria passar a Luana. Inicialmente os juízes registraram a vantagem para a brasileira, mas, segundos depois, voltaram atrás e restituíram a prioridade à australiana. Luana reagiu visivelmente incomodada e abriu os braços em protesto diante da sinalização dos árbitros.
Na bateria, Luana chegou a assumir a liderança em uma onda intermediária, somando 6 pontos em sua melhor passagem. Ainda assim, nos minutos finais, Wright aproveitou a prioridade e arrancou a nota necessária: precisava de 4,44 e recebeu 4,50 dos juízes, virando o confronto. A líder tentou reagir em uma última tentativa, mas caiu na manobra decisiva e foi eliminada.
Além do resultado em si, a troca de interpretação da prioridade tende a alimentar debate sobre consistência na aplicação das regras em etapas com mar difícil. Embora não haja denúncia formal nos relatos, o episódio expõe a margem de influência que decisões de arbitragem podem ter em placares apertados — e no próprio ranking mundial, quando a diferença entre os primeiros colocados é pequena.
No masculino, o Brasil teve atuação mais tranquila: Gabriel Medina, Filipe Toledo, Yago Dora, Ítalo Ferreira, Miguel Pupo e Alejo Muniz avançaram às oitavas em Raglan. Medina e Filipe voltam a se enfrentar na próxima fase, em confronto que promete ser determinante na briga por pontos na temporada.