Luís Castro evitou transformar a saída do Grêmio em confronto público. Ao ser abordado por jornalistas no Aeroporto Salgado Filho, onde embarcou para Lisboa, o treinador reafirmou a necessidade de "paz e união" no clube e declinou de comentar diretamente as críticas feitas por Renato Portaluppi à formação do elenco.
O português, que manteve residência em Porto Alegre mesmo após a demissão ocorrida em 13 de setembro, assumiu responsabilidade pelo trabalho à frente da equipe: disse ser responsável por tudo até sua saída, com a ressalva de uma data equivocada citada por ele. No total, comandou o clube em 50 jogos, com 19 vitórias, 15 empates e 16 derrotas — aproveitamento de 47% — e deixou o time na 15ª posição, com 28 pontos.
A chegada de Renato, anunciada um dia depois da demissão de Castro, ainda não reverteu o cenário: em quatro partidas sob seu comando houve três empates e uma derrota. O novo técnico endureceu o discurso sobre falhas na montagem do elenco, criticando contratações sem análise adequada e dizendo que "a conta chega" para quem monta grupo sem critério — um alerta direto à gestão sobre qualidade do processo de contratações.
Para o Grêmio, a combinação de demissão, retorno de Renato e críticas públicas à construção do elenco expõe custos esportivos e de imagem. A diretoria terá de acelerar decisões sobre avaliação de desempenho, reforços e alinhamento do projeto técnico se quiser reduzir o risco de piora na campanha e assegurar a permanência na Série A. Castro, por ora, preferiu não alimentar a polêmica e deixou a discussão sobre o futuro do clube nas mãos da instituição.