A escolha de Andrea Pirlo para comandar a seleção italiana entrou em risco e levou Paolo Maldini a anunciar que pode deixar o cargo de diretor técnico caso a Federação Italiana de Futebol (FIGC) volte atrás. Maldini, contratado no dia 11 e que trouxe consigo o conselheiro Leonardo, havia indicado Pirlo depois da recusa de Pep Guardiola. A notícia acende um novo foco de crise numa federação já fragilizada pelo fracasso em ficar fora da Copa pelo terceiro torneio seguido.

O núcleo da controvérsia é uma relação comercial do ex-meia com uma casa de apostas russa — e com figuras empresariais próximas a ela — que motivou críticas políticas e preocupação da direção. Giovanni Malagò, presidente da FIGC, passou as últimas horas analisando documentos sobre os vínculos antes de comunicar oficialmente sua decisão. Parlamentares e segmentos do debate público consideram problemático nomear alguém associado a interesses ligados à Rússia, dado o posicionamento contrário de Itália ao regime de Putin desde a invasão da Ucrânia.

A defesa de Pirlo informou à federação que o treinador pode rescindir seu vínculo atual com o United FC, clube dos Emirados Árabes Unidos cujo dono é Sergey Lomakin, e eventualmente encerrar parcerias comerciais que geram o constrangimento. Ainda assim, a FIGC deixou claro que busca garantias jurídicas e de reputação para evitar problemas futuros. A posição de Malagò será decisiva: pesar o risco reputacional contra a autonomia delegada a Maldini é o centro do impasse.

As implicações vão além da simples escolha técnica. A ameaça de saída de Maldini, menos de um mês após sua chegada, expõe fissuras na governança da seleção e potencialmente aumenta o desgaste institucional num momento sensível para o futebol italiano. Se Malagò vetar a contratação, a federação corre o risco de parecer vulnerável a pressões externas; se mantiver Pirlo, terá de lidar com críticas políticas e com a narrativa pública de falta de cautela. De qualquer forma, o episódio tende a intensificar o debate sobre transparência e critérios na escolha de quem representa a camisa italiana.