A Federação Italiana de Futebol (FIGC) confirmou nesta terça-feira Roberto Mancini como treinador da seleção e Claudio Ranieri como diretor de seleções, numa movimentação precipitada depois da demissão de Paolo Maldini e Leonardo. O anúncio foi feito pelo presidente Giovanni Malagò, que precisou reconfigurar a direção após o impasse envolvendo a indicação de Andrea Pirlo.

Malagò explicou que escolheu Mancini por acreditar ser a melhor alternativa para o comando técnico e afirmou precisar de um diretor com quem dividir decisões estratégicas — função que Ranieri aceitou. Mancini retorna ao cargo três anos depois de sua saída, tendo dirigido a seleção entre 2018 e 2023; Ranieri, 74 anos, deixou a Roma no ano passado e já havia recusado convite anterior para treinar a Itália em 2025.

A mudança sucede uma crise institucional: Maldini e Leonardo pediram demissão apenas 16 dias após assumirem. A dupla havia recomendado Pirlo para o posto de treinador, mas Malagò vetou o nome ao saber de um vínculo comercial do ex-jogador com a casa de apostas russa Fonbet. O presidente disse desconhecer essa colaboração e lamentou interpretações errôneas feitas por terceiros. A FIGC promete ainda anunciar um terceiro nome para supervisionar as seleções de base até o fim da semana.

A sucessão rápida expõe fragilidades na governança da seleção e gera um desafio imediato de coesão: é preciso alinhar clubes, dirigentes e comissão técnica, recuperar confiança interna e apresentar um projeto claro antes das próximas competições. A volta de Mancini reduz o risco de ruptura pela experiência do treinador, mas a sequência pública de desgastes evidencia que a nova direção terá pouco tempo para traduzir decisões em estabilidade técnica e institucional.