O CEO do consórcio que administra o Maracanã, Fred Nantes, reconheceu em coletiva que o gramado “não está na qualidade que a gente gostaria” e apresentou um cronograma de intervenções até o fim de 2026. Nantes sustentou que as avaliações devem ser feitas com base técnica e exibiu um estudo comparativo: até setembro o Maracanã já recebeu 58 partidas no ano, contra 51 do Castelão e 31 do San Siro, deixando explícito o efeito do calendário sobre a superfície.

Dos cinco indicadores considerados para o cuidado do campo, quatro pioraram em 2026 na comparação com 2025. Entre eles, o número de partidas com chuva no dia do jogo ou nas 24 horas anteriores subiu 26%, e a densidade vegetal e a atividade fisiológica do gramado registraram declínio. O único item que melhorou foi o tempo total de uso em minutos — de cerca de 1.800 em 2025 para 1.560 em 2026 —, reflexo de ajustes na programação, segundo o consórcio.

A apresentação também citou episódios recentes que acentuam a pressão sobre a concessionária: críticas públicas de jogadores do Fla-Flu, manutenção realizada em 25 de agosto para o clássico Flamengo x Botafogo — que serviu de argumento para clubes não liberarem o estádio ao Vasco — e uma multa aplicada pelo governo à gestão do local. Nantes alertou que chuvas intensas (40 mm nos últimos dois dias, segundo a coletiva) tornam o terreno macio e impedem o uso de máquinas pesadas sem causar mais danos.

A curto prazo, a manutenção planejada para setembro será o ensaio final antes do jogo da NFL, marcado para 27 de setembro. Há previsão de mudança do tipo de gramado para 2027, conforme informado pela administração. Se as intervenções não compensarem os efeitos do clima e do calendário, a concessionária corre o risco de ver a pressão institucional e a insatisfação dos clubes se intensificarem, com impacto operacional e reputacional.