A semifinal entre Argentina e Inglaterra ganhou relevo além do campo por causa das declarações de Diego Maradona Júnior. Em entrevista ao jornal espanhol Marca, o filho de Diego Armando Maradona afirmou que o confronto não pode ser visto como uma partida comum, ao evocar a Guerra das Malvinas e a vitória histórica de 1986 em que seu pai marcou dois gols decisivos.
Maradona Júnior disse que, para muitos argentinos e torcedores maradonianos, o jogo traz lembranças que transcendem a esfera esportiva. Ele ressaltou ainda a dificuldade do duelo: a Inglaterra chega embalada após eliminar a Noruega, enquanto a Argentina avançou vencendo a Suíça nas quartas — cenário que, segundo ele, torna a partida complicada para ambos os lados.
Do outro lado, o técnico Lionel Scaloni procurou desarmar a carga política e social que costuma acompanhar embates entre as seleções. O treinador pediu que o confronto seja tratado primordialmente como uma disputa esportiva e elogiou a qualidade do adversário, buscando manter o foco dos jogadores exclusivamente no aspecto técnico-tático.
Além do peso histórico, a semifinal terá a primeira partida de Lionel Messi contra a Inglaterra pelo time principal. Maradona Júnior afirmou nutrir carinho por Messi e manifestou o desejo de que o capitão argentino repita o título mundial, numa declaração que misturou respeito pessoal e a simbologia do momento.
O episódio expõe a tensão entre memória coletiva e gestão esportiva: enquanto a família Maradona apela para a lembrança histórica, a comissão técnica insiste na centralidade do futebol. Resta saber se a narrativa externa influenciará o clima da partida ou se prevalecerá a tentativa de manter o jogo em sua dimensão esportiva.