A seleção espanhola entra em campo nesta quinta-feira, às 16h, para enfrentar a Áustria pelos 16 avos de final da Copa do Mundo com um peso histórico que a imprensa local não deixou morrer. Em sua capa, o diário Marca resgatou a derrota por 2 a 1 sofrida na estreia do Mundial de 1978, na Argentina, e tratou o reencontro como uma 'revanche' — uma leitura que transforma o jogo em mais do que uma eliminatória: em uma oportunidade simbólica de reparar um dos episódios mais dolorosos da memória futebolística espanhola.

O jornal revive os detalhes daquele jogo: Walter Schachner abriu o placar para os austríacos, Dani empatou ainda no primeiro tempo e Hans Krankl garantiu o triunfo de virada na etapa final. A derrota, logo na estreia do grupo que tinha Brasil e Suécia, acabou pesando e contribuindo para a eliminação precoce da Espanha naquela edição. Marca também lembrou o tom crítico da cobertura da época, que apontou atuação apática e falta de compromisso como sinais de uma seleção abaixo do esperado.

Quase cinco décadas depois, a narrativa do reencontro assume caráter decisivo. Ao chamar o confronto de 'revanche', a imprensa espanhola enfatiza não só a carga emocional, mas a expectativa de que o time atual mostre diferença de postura em relação ao passado. A reconstrução do episódio serve para enquadrar o jogo como teste de caráter e competitividade, e não apenas mais uma fase de mata-mata.

Dentro das avaliações recentes, o volante Baena, que participou do duelo contra o Uruguai, descreveu a partida anterior como uma 'partida dura' e falou em batalha, expressão que reflete a consciência do elenco sobre o nível de exigência nos jogos de eliminação. Resta à Espanha converter a tradução midiática dessa 'revanche' em futebol, evitando que a carga simbólica transforme pressão extra em risco de novo desapontamento.