Marrocos e Holanda se encaram nesta segunda-feira, às 22h (de Brasília), em Monterrey, no duelo que abre as oitavas de final da Copa do Mundo. Classificado como confronto de alto nível pela delegação marroquina, o jogo traz foco tanto na estratégia em campo quanto nas críticas ao novo desenho do torneio feitas pelo técnico Mohamed Ouahbi.
Em entrevista coletiva, Ouahbi não poupou ressalvas ao sistema adotado após a ampliação da competição. Sem negar que as regras eram conhecidas de antemão, o treinador apontou distorções práticas — sobretudo na forma como terceiros colocados são avaliados — e citou o caso da Escócia como exemplo de injustiça momentânea, quando a seleção aguardou dias por definição apenas para ser eliminada pelo saldo de gols. Ouahbi mencionou limitações impostas por direitos de transmissão e sugeriu que a fórmula precisará de ajustes nas próximas edições.
Além das questões estruturais, a coletiva teve defesa pública ao meia Brahim Díaz. Tanto Ouahbi quanto o goleiro Bono ressaltaram a importância do jogador do Real Madrid, autor de duas assistências na fase de grupos, e pediram calmaria diante das críticas pela ausência de gols. A mensagem da equipe foi de que o desempenho coletivo e a consistência serão determinantes para avançar no mata-mata, e que a resposta precisa vir em conjunto, não apenas de um atleta.
Do ponto de vista tático e político, a crítica de Ouahbi pode reforçar um debate já em curso sobre a logística e a equidade da competição aumentada, especialmente se partidas decisivas seguirem gerando situações semelhantes. Para o confronto em Monterrey, porém, a prioridade de Marrocos é transformar o discurso em futebol: compensar a discussão sobre formato com rendimento que permita superar a forte seleção holandesa e seguir vivo na Copa.