Quatro anos depois de ficar fora da lista final para o Mundial do Catar, Matheus Cunha deu a volta por cima: na primeira vez em que atuou como titular em uma Copa do Mundo, o atacante marcou dois gols e ajudou o Brasil a vencer o Haiti por 3 a 0, em jogo disputado na Filadélfia. O desempenho colocou a seleção na liderança do Grupo C, dividindo os quatro pontos com Marrocos, mas à frente pelo saldo de gols.

A trajetória do jogador do Manchester United ganha força também pela função que cumpriu em campo. Apesar de vestir a camisa 9, Cunha não atua como centroavante fixo: sua movimentação mais livre abriu espaços para os companheiros e criou problemas para a defesa haitiana. A relação com o grupo foi destacada pelo próprio atacante como fator que tornou a recuperação possível — gesto simbolizado pelo abraço de Igor Thiago, substituído para a entrada de Cunha.

Do lado técnico, a escolha de Carlo Ancelotti para a partida foi deliberada e pensada para explorar características específicas do adversário. O treinador deixou claro que a escalação atendia ao desenho desejado para o confronto e que não pretende impor uma identidade única para o ataque em todos os jogos. Ou seja: apesar da boa atuação, Cunha não tem a vaga garantida contra a Escócia.

O próximo compromisso será em Miami, na quinta-feira (24), às 19h (horário de Brasília). Um empate basta para garantir a classificação brasileira. A vitória sobre o Haiti porém muda o cálculo interno: além de elevar a confiança de Cunha, complica a tomada de decisão de Ancelotti, que precisa equilibrar rendimento, concorrência por espaço e adaptação tática em um grupo que, segundo o próprio jogador, privilegia a união em meio à disputa.