Dois meses antes do encontro entre Bélgica e Espanha pelas quartas da Copa, Matías Fernández-Pardo decidiu o que veste: a camisa belga. A escolha do atacante de 21 anos — que chegou a recusar quatro convocações da federação espanhola — virou ingrediente extra para o duelo marcado para sexta-feira, às 16h (de Brasília), em Los Angeles.

Nascido em Bruxelas e filho de pai espanhol, Matías tem histórico nas seleções de base da Bélgica, do sub-11 ao sub-19. Em 2024 disse ao jornal Marca que gostaria de jogar pela Espanha, movimento que levou a federação espanhola a providenciar a documentação necessária em fevereiro de 2025. Um mês depois ele foi listado no sub-21, alegou lesão muscular e não se apresentou — apesar de ter atuado pelo Lille na sequência.

Apenas mais três convocações foram tentadas pela Espanha — para o Europeu sub-21, para o Mundial sub-20 e para amistosos do sub-21 — e, em todas, Matías acabou sendo cortado. A persistência terminou quando, em maio, a federação belga anunciou o retorno do atacante ao elenco nacional. Na Copa, tem sido opção de banco: entrou em três das cinco partidas da Bélgica até aqui e terá de conviver com aplausos e vaias.

Do ponto de vista esportivo, a disputa por um jogador dual nacional expõe a competição acirrada entre federações por talentos emergentes e deixa a Espanha com uma oportunidade perdida — real ou simbólica — para reforçar o ataque. Para a Bélgica, o acerto amplia alternativas ofensivas sob o comando de Rudi Garcia; para a Espanha, a sequência de chamadas falhadas levanta dúvidas sobre controle médico e timing nas convocações. Independentemente do episódio, o desfecho será verificado em campo na sexta-feira.