Mauricio Dulac assumiu o Al-Riyadh em fevereiro com a missão clara de evitar o rebaixamento. Quando chegou, o clube tinha apenas 12 pontos em 20 jogos e figurava entre os candidatos à queda. Sob seu comando, o time somou 18 pontos em 14 rodadas e garantiu a permanência apenas na última jornada, deixando para trás o Damac, comandado por Fábio Carille. O resultado colocou Dulac, pela primeira vez como treinador principal, na vitrine internacional.

O resgate teve perfil definido: segundo o próprio treinador, predominou o trabalho psicológico — reconstruir confiança — combinado a uma aplicação analítica prática. Dulac usou informações de desempenho para orientar o processo e priorizou ações que gerassem chances e finalizações, buscando recuperar a espontaneidade do atleta. A aposta em cinco jogadores do sub-21 na equipe principal também foi diferencial, tornando o Al-Riyadh o único time a utilizar tantos jovens com regularidade no torneio.

A trajetória do gaúcho tem raízes no trabalho como analista e auxiliar: passagens por Internacional e a experiência junto a Tite na Seleção e a convivência com Odair Hellmann aparecem como referências que moldaram sua leitura tática. A transição de bastidores para o banco já vinha ocorrendo desde 2010, quando começou a migrar da análise para a parte técnica, e agora rendeu um feito pouco frequente para quem estreia como treinador principal no exterior.

O saldo é positivo em termos imediatos, mas revela fragilidade estrutural: salvar a equipe na última rodada evita uma crise financeira e reputacional, mas expõe a necessidade de reforços e ajustes para 2026. Dulac tem contrato até junho e negociações por renovação estão em andamento; o sucesso preserva sua agenda, mas também joga luz sobre a urgência de consolidar projeto técnico e elenco antes da retomada do Campeonato Saudita em agosto.