A poucos metros da rotina do futebol profissional em Itaquera, Makson Rangel — conhecido como Max — construiu outra carreira. Aos 37 anos, o atacante tornou-se referência da várzea: defende 24 times distribuídos em 18 cidades de três estados, soma mais de 900 gols e cerca de 100 títulos, e diz que o retorno financeiro já lhe permite viver do esporte.

A trajetória de Max começou a ganhar contornos promissores na Copinha de 2007, quando atuou por um modesto clube e marcou três dos quatro gols da equipe no torneio, além de dar uma assistência. Promessas de negociação, porém, não se concretizaram: empresários que o haviam levado ao torneio falharam em entregar oportunidades e acabaram por afastar opções reais, segundo o jogador. Passagens por clubes profissionais — como Gênesis (RO), Independente de Limeira e Portuguesa Santista — não redundaram em estabilidade.

Desiludido com as condições e com barreiras do mercado profissional — ele relata até custos para tentar se firmar — Max decidiu, a partir de 2012, concentrar-se na várzea. O fenômeno hoje segue um modelo operacional próprio: a esposa atua como empresária, filtra propostas, organiza a agenda e negocia compromissos, o que tornou viável conciliar convites múltiplos sem sobreposição de datas.

O caso de Max expõe duas realidades do futebol brasileiro: de um lado, a porta estreita e por vezes opaca do profissionalismo; do outro, a estrutura informal que transformou o amadorismo em fonte de renda e visibilidade. Há mérito na autonomia construída por jogadores como ele, mas também fragilidade: o sustento depende de boa frequência de jogos, da mídia local e da gestão doméstica — fatores que apontam para uma carreira rentável, porém precária e altamente dependente de redes pessoais.