O retorno do Real Madrid ao Santiago Bernabéu, após mais de três semanas fora, teve placar favorável em campo — vitória por 2 a 0 sobre o Oviedo —, mas o clima nas arquibancadas deixou claro que o problema do clube não é só técnico. Mbappé, contratado em 2024 e ainda sem marcar época no time, entrou aos 24 minutos do segundo tempo e foi recebido por vaias intensas de boa parte da torcida.
As manifestações não se limitaram ao francês. Vini Jr foi vaiado quando as escalações foram exibidas no telão, e outros jogadores, como Tchouaméni, sofreram manifestações hostis durante a espera pelo apito inicial. Uma faixa crítica a Florentino Pérez chegou a ser exibida e foi rapidamente recolhida por seguranças, indicando desgaste também com a direção do clube.
Os protestos ocorrem em meio a uma temporada sem conquistas de peso — perda do título espanhol para o Barcelona e eliminação nas quartas da Champions — e a denúncias de tensão grave nos bastidores. Reportagens apontaram discussões e confrontos entre atletas, incluindo episódios envolvendo Rüdiger, Carreras, Tchouaméni e Valverde, este último com traumatismo craniano confirmado em relatos que variam entre acidente e confronto direto.
A soma de resultados abaixo do esperado e a sucessão de episódios de relacionamento tóxico no vestiário ampliam a pressão sobre a presidência. A entrevista coletiva do presidente, marcada por ataques à imprensa e menções à disputa interna por poder, não apagou sinais de insatisfação da torcida — um termômetro que pode pesar na estratégia política do clube e na gestão à frente da próxima eleição interna.