Memphis Depay desembarcou em São Paulo na madrugada desta terça-feira para tratar dos últimos detalhes e assinar a renovação de contrato com o Corinthians, que prevê extensão por mais duas temporadas até julho de 2028. O holandês chegou vindo de Roterdã e estava acompanhado por advogados, seu personal trainer Diego Pereira e a personal chef Paula Cardoso. Saiu do aeroporto por uma saída alternativa e não falou com a imprensa.

A pauta de negociações segue extensa e técnica: além do salário, existem divergências sobre um adicional de 10% destinado ao estafe do jogador, juros e multas por atrasos, o modelo para quitação da dívida de R$ 42 milhões que o clube tem com Memphis, critérios e percentuais de premiações por títulos, e a eventual disponibilização da Neo Química Arena para eventos com divisão de renda. Fontes internas apontam que o assunto já gera resistências políticas a aliados da presidência.

A pressão sobre o presidente Osmar Stabile aumenta porque conselheiros influentes criticam a renovação nas condições em discussão, o que transforma um tema esportivo também em problema de governança. A saúde do atleta foi questionada por alas políticas do clube, embora o estafe garanta aptidão; o clube programou uma bateria de exames médicos para terça-feira, etapa exigida antes de qualquer assinatura definitiva.

No plano esportivo, o departamento de futebol trabalha com a hipótese de ter Memphis à disposição para o jogo de ida das oitavas da Libertadores, em 13 de agosto, contra o Rosario Central. No entanto, a conclusão do acordo terá impacto direto nas finanças e na gestão do elenco: uma renovação que incorpore os pontos em disputa pode ampliar a folha e recriar tensões internas; a ausência de um desfecho pode obrigar o clube a procurar alternativas para a janela que antecede a competição.

Nas próximas horas, reuniões entre diretoria e estafe devem consolidar ou descartar pontos centrais do acordo. A terça-feira, portanto, tende a ser decisiva para definir se o Corinthians confirma a continuidade do atacante ou se a negociação volta a patamares que exigirão novas soluções administrativas e esportivas.