O confronto entre Argentina e Espanha na final da Copa ganhou um capítulo curioso: Lionel Messi já havia sido pesadelo do atual técnico espanhol Luís de la Fuente muito antes da consagração mundial. Em 2004, com 17 anos, o então prodígio do Barcelona marcou quatro vezes sobre o Sevilla sub-19 dirigido por De la Fuente, eliminando a equipe nas oitavas da Copa do Rei juvenil.
O duelo de 22 anos atrás teve contornos claros: o Barcelona havia vencido a ida por 3 a 0 e sacramentou a vaga com um 5 a 0 na volta. Naquele ano, Messi brilhou em todas as categorias — somou 35 gols em 37 partidas por quatro elencos diferentes do clube e ainda estreou pela seleção sub-20, marcando três gols em duas partidas. O episódio com o Sevilla voltou à tona na coletiva em Nova Iorque, quando o treinador explicou por que não pretende apostar em marcação individual para frear o craque.
De la Fuente usa a memória daquele jogo para ilustrar um ponto prático: não existe receita pronta para anular diferenças técnicas tão grandes. Ele relatou que uma marcação direta foi tentada nas categorias de base, mas uma substituição após um cartão amarelo mudou a dinâmica e terminou em quatro gols sofridos — argumento que justifica a postura da Espanha de priorizar organização coletiva e atenção tática sobre vigilância fixa a um único jogador.
O episódio ganha peso também pela dimensão atual do confronto. Messi continuou a provar eficácia em decisões: tornou-se recordista de gols em Copas do Mundo e é protagonista de uma disputa de artilharia no torneio, ao lado de Mbappé. Do outro lado, De la Fuente aposta em jovens como Lamine Yamal — oficialmente recuperado e liberado para a final — e numa leitura tática que privilegia cobertura, alternância e minimização de espaços. Mais que nostalgia, o reencontro sublinha que, no futebol, talentos históricos forçam ajustes — e que técnicas testadas nas bases servem de lição para decisões em nível máximo.